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Tomate Subiu Quase 38% em Setembro. Seu Mercado Tem Plano Para o Que Vem Aí?

Por Maria Eduarda Cortez 20 de outubro de 2026
Tomate Subiu Quase 38% em Setembro. Seu Mercado Tem Plano Para o Que Vem Aí?
A comida que o brasileiro compra para comer em casa subiu 0,96% em setembro, depois de três meses de queda. Tomate, batata e cebola puxaram a alta, e ninguém sabe se o preço continua subindo ou volta a cair. Veja como montar um plano para os dois cenários antes de mexer no preço.

Tomate Subiu Quase 38% em Setembro. Seu Mercado Tem Plano Para o Que Vem Aí?

Segunda-feira, seis da manhã. Você abre a nota do fornecedor e o tomate veio com outro preço. A batata também. Três meses seguidos de comida mais barata, e de repente a conta virou.

Não foi impressão sua. Em setembro, o preço da comida que o brasileiro compra para comer em casa subiu 0,96%, depois de três meses de queda, segundo o IPCA do IBGE. O IBGE ligou a alta à oferta menor de produtos por causa do clima adverso. Setembro teve chuva forte e alguns períodos de frio.

A pergunta que fica é: e agora? Ninguém sabe se a alta continua ou se o preço volta a cair. Então o melhor que você pode fazer é ter um plano para os dois caminhos.


O que subiu e o que caiu em setembro

Estes são os números do IPCA de setembro, em variação sobre agosto:

Produto Variação em setembro
Tomate +37,76%
Batata-inglesa +24,07%
Cebola +10,14%
Arroz +4,56%
Carnes +0,63%
Frutas (média) -1,12%
Frango inteiro -1,96%

Repara numa coisa: tomate, batata e cebola são justamente os três itens que a Abras citou em julho, quando alertou que o El Niño pode pressionar o preço dos alimentos no fim do ano. O IBGE aponta o clima como causa da alta de setembro. Já a previsão da Abras é sobre o que o El Niño pode fazer daqui para frente.

Um cuidado: o IPCA mede o que o consumidor paga, em média, no país. O seu custo de compra pode ter subido mais ou menos que isso. Confere na sua nota.


Por que ninguém consegue dizer o que vem aí

Os sinais não apontam todos para o mesmo lado.

De um lado, o Citi Research disse em setembro que o mundo vive um episódio de Super El Niño, com 93% de chance de o fenômeno seguir até o trimestre de novembro a janeiro, citando a agência americana NOAA. O relatório diz que a comida é o principal canal pelo qual o El Niño chega à inflação dos países emergentes.

Do outro lado, o mesmo relatório descreve o Brasil como um caso com viés de queda da inflação. E o próprio IPCA mostra que nem tudo subiu: frango e frutas ficaram mais baratos em setembro.

Quando o cenário é incerto, planejar com um único caminho é arriscado. O melhor é decidir agora o que você faz em cada um.


Seu plano para os dois cenários

Cenário O que fazer
A. O preço continua subindo Segure o preço dos itens que o cliente compara de cabeça. Repasse com mais folga nos itens de compra por impulso. Dê destaque para o que ficou mais barato, como frango e frutas. Compre perecível em volume menor e com mais frequência.
B. O preço volta a cair Reveja os preços que você subiu em setembro. Baixe primeiro os itens que o cliente compara, para ele perceber a queda. Recupere margem nos demais, aos poucos, sem repassar a queda inteira de uma vez.

Antes de mexer em qualquer preço

  1. Separe os itens que o cliente compara dos que ele nem repara. São os produtos que mais giram e que ele sabe de cabeça quanto custam. Mexer neles é mexer na imagem do seu mercado.
  2. Anote o custo de hoje e o de 30 dias atrás. Pega a nota fiscal dos últimos dois meses nos itens principais. É o seu número, não o do IPCA.
  3. Defina o seu gatilho por escrito. Por exemplo: "se o custo do item subir tanto em duas semanas, eu reviso o preço". O número é seu. O importante é decidir antes, com a cabeça fria, e não na hora do susto.
  4. Decida quem sustenta o preço e quem carrega a margem. Ninguém consegue segurar o preço de tudo. Escolha de propósito.
  5. Faça uma revisão curta toda semana. Quinze minutos com as notas na mão resolvem mais que uma grande revisão uma vez por mês.
  6. Prepare o time. Se o cliente reclamar do tomate, quem está no caixa e na gôndola precisa ter uma resposta pronta e honesta.

A real

Setembro mostrou que a pausa na alta da comida pode acabar rápido. Quem tem um plano com gatilhos já escolhidos reage em um dia. Quem não tem acaba decidindo no susto, e o susto costuma sair caro na margem ou na fila do caixa.

O primeiro passo é saber quais produtos o seu cliente realmente compara e quanto dá para ajustar sem perder venda. Teste de graça o ClubVarejo Pricing e monte o seu plano com o dado da sua loja.

Fontes: IPCA de setembro, via Band · IBGE, via Jornal do Comércio · Abras, via Itatiaia · Citi Research, via Times Brasil